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Pontes, superando muros: o método FHC

Conheci Fernando Henrique Cardoso pelos olhos generosos do meu ex-sogro, Fernando Gasparian, que com ele conviveu e sempre o descreveu como um homem de inteligência instigante e espírito conciliador. O tempo tratou de confirmar cada palavra. Hoje, ao homenageá-lo, não falo apenas como parlamentar, mas como alguém que viu de perto a diferença entre os que fazem barulho e os que entregam resultados.

Depois de um período intelectual efervescente (CEBRAP), formulando teses e conceitos sobre o desenvolvimento do nosso País, teve oportunidade de como Senador da República e depois como ministro de “ botar a mão na massa”!

É impossível lembrar o Brasil antes do Plano Real sem um calafrio. A inflação corroía salários, desorganizava a economia e, sobretudo, penalizava os mais pobres. Como ministro da Fazenda, FHC liderou uma equipe que combinou ousadia técnica e articulação política. O Real não foi um pacote: foi uma engenharia que exigiu diálogo com o Congresso, mobilização da sociedade e coragem para enfrentar resistências. A moeda estável que hoje nos parece natural foi, na verdade, uma conquista civilizatória.

Na Presidência, deu continuidade a esse projeto com responsabilidade. Enfrentou crises internacionais sem se render a aventuras, fez reformas estruturais do Estado, quebrou monopólios e criou as bases para políticas sociais não contaminadas pelo populismo. Muitas das agendas que o Brasil debate hoje — responsabilidade fiscal, agências regulatórias, programas de transferência de renda — foram semeadas ali, plantadas com método e moderação.

Faço referência justa a dona Ruth Cardoso. Enquanto FHC governava, ela inovava a relação entre Estado e sociedade com o Comunidade Solidária. Trouxe para o centro do debate a importância das organizações sociais, da escuta ativa e da articulação em rede. Sua obra merece ser celebrada como parte essencial daquele período, em absoluta sintonia com seu “companheiro de jornada”.

Minha admiração por Fernando Henrique, no entanto, vai além dos feitos. Sempre foi um construtor de pontes, alguém que entende que políticas públicas nascem da convergência de ideias. Esse modo de agir — que valoriza a serenidade, o argumento e a técnica — é o mesmo que me norteia e tanto faz falta hoje a nosso País vitimado pela polarização radicalizada.

O mundo precisa de mais FHCs. Precisa de líderes que compreendam que a boa política não grita: ela realiza. Seu legado não está apenas nos livros de economia. Está na estabilidade que permitiu avanços cruciais para o nosso país e na certeza de que é possível transformar o Brasil com inteligência, diálogo e espírito público.

Este o legado de FHC!

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Sobre o Autor

Arnaldo Jardim

Ex-deputado federal por 7 mandatos, relator de marcos históricos como o PL do Combustível do Futuro e Minerais Críticos.

Dedicado a conectar inteligência técnica e política para acelerar a transição energética e a inovação.

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